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terça-feira, 12 de junho de 2012

Alunos do IME criam aplicativo para pessoas com deficiência visual.



Informações sobre determinadas localidades são transmitidas em áudio
Foto: montagem de Igor de Carvalho Maia/ USP Imagens
Celulares
Três alunos do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP desenvolveram o aplicativo para celulares Smart Audio City Guide, que ajuda deficientes visuais a se locomoverem pela cidade. O trabalho rendeu aos estudantes Renata Claro, Gabriel Reganati e Thiago Silva, do último ano em Bacharelado em Ciência da Computação, o terceiro lugar na Imagine Cup, um concurso de inovação promovido pela Microsoft.

O Smart Audio City Guide é um sistema que utiliza informações geolocalizadas e GPS, sendo alimentado por informações de qualquer usuário da rede, de maneira colaborativa. Qualquer um que possua o aplicativo pode enviar e receber informações sobre determinadas localidades, que são transmitidas na forma de áudio. Por exemplo, pode-se enviar a informação "aqui há um orelhão" para o sistema, que registra a localidade. Na próxima vez que um usuário do aplicativo estiver passando pelo mesmo local, ele recebe a informação enviada anteriormente. O usuário também pode receber as informações ao tocar a tela do aparelho em qualquer ponto. Veja aqui um vídeo demonstrativo do aplicativo

O projeto, que começou a ser desenvolvido em novembro de 2011, foi orientado pelo professor Marco Aurélio Gerosa, do IME, e também recebeu a colaboração do professor Artur Rozestraten, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), que alertou para a dificuldade de mobilidade urbana no grupo de deficientes visuais e sugeriu o desenvolvimento de sistemas móveis conjugando informações em áudio georeferenciadas. O aplicativo é gratuito para os usuários, que só precisam baixá-lo em seu aparelho. Por causa da competição, promovida pela Microsoft, o Smart Audio City Guide foi desenvolvido para Windows Phone, mas está sendo aperfeiçoado para ficar mais acessível e para que seja disponibilizado em outros aparelhos.
Alunos do IME, na cerimônia de premiação da Imagine Cup

Segundo Gabriel Reganati, um dos membros da equipe Wonders, o sistema ainda precisa ser aprimorado. Thiago Silva, também da equipe, conta que o sistema já funciona, mas hoje possui um servidor limitado. Desse modo, um maior número de usuários poderia sobrecarregá-lo e ele sairia do ar. Por causa disso, os estudantes estão aperfeiçoando o aplicativo e pretendem colocá-lo para download até o fim do ano. Os idealizadores do Smart Audio City Guide pensam em financiar o projeto com incentivo de empresas vinculadas a ONGs da área, além da publicidade por meio da informação (isto é, poderiam recomendar estabelecimentos mais acessíveis para o público-alvo do aplicativo).

Imagine Cup
Das 81 equipes do Brasil inscritas no concurso, cinco se classificaram para a final, que aconteceu em Brasília, no dia 3 de maio. Os estudantes do IME contam que não esperavam ficar entre os finalistas, inclusive por causa do pouco tempo desenvolvendo seu projeto. Para Reganati, "a premiação foi um reconhecimento enorme do nosso trabalho, pudemos conhecer muita gente". Renata Claro concorda: "Tivemos um crescimento profissional muito grande por causa do prêmio. Além disso, o concurso nos deu uma boa visibilidade. Ficamos muito felizes, porque todos os projetos eram muito bons", diz.

Fonte: Agência USP de Notícias

Copa for all Acessibilidade na Copa 2014 e Olimpíadas 2016 será discutida em evento.


Copa for All
A exatos dois anos do início da Copa do Mundo de 2014, especialistas debatem pela primeira vez os projetos de acessibilidade no evento Copa for All, que será realizado de 11 a 13 de junho em São Paulo. Inscrições para participação são gratuitas.

O Brasil está prestes a realizar dois dos maiores eventos esportivos do planeta. Doze estádios estão sendo construídos para a Copa de 2014. Aeroportos e portos, reformados. Centenas de hotéis implantados e reformados. Obras de mobilidade urbana se espalham pelas cidades. São mais de R$ 20 bilhões em obras de infraestrutura e de telecomunicações. Mas será que as novas construções serão acessíveis a todos os públicos?
O Brasil possui mais de 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. São pessoas com dificuldades de locomoção, auditiva, visual, entre outras. O que está sendo planejando para atender esse público e os milhares de turistas que precisarão de uma atenção especial durante a Copa do Mundo? Quais os planos brasileiros nas áreas de tecnologia e inovação voltados à pessoa com deficiência?

Para debater essas e outras questões, exatamente a dois anos da Copa de 2014, será promovido o Copa for All, primeiro debate brasileiro com foco na acessibilidade da Copa 2014 e Olimpíadas 2016. "Escolhemos o tema porque ainda não conhecemos os projetos de acessibilidade relacionados às arenas, aos hotéis, aos aeroportos e outros equipamentos que estão sendo preparados para os megaeventos", destaca Rodrigo Prada, um dos organizadores do encontro.

Prada lembra que na Copa 2010 alguns estádios construídos para o Mundial da África do Sul não foram projetados para atender requisitos de acessibilidade e o que se viu foi um grande desrespeito aos portadores de necessidades especiais. "A Fifa reforça as orientações quanto à segurança nos estádios, como procedimentos e equipamentos para evacuação do local em caso de emergência. Porém, a entidade que organiza o Mundial não especifica, por exemplo, qual o número de lugares destinados a pessoas com deficiência, deixando a critério da legislação do país esta definição".

De acordo com o turismólogo e cadeirante Ricardo Shimosakai, um dos palestrantes do evento, o essencial para pessoas com deficiência física em um estádio de futebol são rampas ou elevadores, dependendo da estrutura arquitetônica, instalações sanitárias, circulação com rotas acessíveis e sinalização adequada, além do espaço onde a pessoa com deficiência física assistirá ao jogo.

Um serviço de apoio é recomendado pela FIFA, para que todas as pessoas com deficiência possam ser atendidas. Mapas táteis do estádio, sinalização em Braille e pisos táteis são itens importantes para quem tem deficiência visual. Para atendimento de pessoas com deficiência auditiva, é importante contar com profissionais treinados para interpretar a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que apesar de ser utilizada somente no Brasil possui semelhanças com outras línguas estrangeiras de sinais.

Além dos estádios, toda a infraestrutura das cidades também deve ser pensada sob a ótica da acessibilidade. Pois o evento influenciará outras áreas como a de transportes aéreo e rodoviário, hotelaria, informação, além da visitação turística nos pontos importante de cada cidade-sede.

O evento Copa for All acontece no auditório da Vivo em São Paulo de 11 a 13 de junho e contará com a presença de arquitetos projetistas das arenas, especialistas em mobilidade urbana e aeroportos, profissionais da área jurídica e autoridades públicas e lideranças políticas como o deputado Romário, grande incentivador de uma Copa do Mundo acessível a todos. Para abertura do encontro, uma apresentação do humorista Geraldo Magela (Ceguinho) sobre as dificuldades de um turista cego no país da Copa do Mundo.

As inscrições são gratuitas, porém limitadas e poderão ser realizadas no www.copaforall.com.br ou por telefone:            11 3337-5633      .

Copa for all
Data: 11 a 13 de junho
Local: Teatro Vivo (Chucri Zaidan, 860 - Brooklin, São Paulo)
Programação
Dia 11 de junho de 2012
20h30
Abertura com autoridades presentes
Geraldo Magela - Apresentação bem-humorada sobre a preparação do país para o Mundial de 2014
Dia 12 de junho de 2012
09h30 às 12h00
Mesa 1 - Acessibilidade nas novas Arenas: Como os projetos são desenvolvidos para atender todos os públicos.
13h30 às 15h
Mesa 2 - Mobilidade Urbana: Como as pessoas com deficiência serão atendidas durante os megaeventos e depois da Copa.
16h35 às 18h00
Mesa 3 - Leis, direitos e deveres: marcos legais e execução de projetos voltados para pessoas deficiência.
Dia 13 de junho 2012
9h30 às 12h30
Mesa 1 - Turismo e Hotelaria: Como atender o público com necessidades especiais
13h45 às 16h15
Mesa 2 - Inovações tecnológicas

Fonte: Mandarim Comunicação

Todos@Web Projeto sobre acessibilidade realizado pela USP e pela UFG é um dos finalistas no prêmio.


Todos@Web
O projeto AccessibilityUtil, desenvolvido por meio de uma parceria entre o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e o Departamento de Ciência da Computação (DCC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), está entre os quatro finalistas do Todos@Web - Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web, na categoria Tecnologias/Aplicativos. O resultado da premiação será divulgado no dia 14 de junho, em cerimônia realizada em São Paulo.

O projeto AccessibilityUtil é desenvolvido por Thiagon Jabur Bittar, doutorando em Ciências de Computação e Matemática Computacional pelo ICMC e projeto da UFG; pela professora Renata Pontin de Mattos Fortes; e pelo mestrando Leandro Agostini do Amaral.

O objetivo do projeto é ser uma fonte de práticas de acessibilidade a partir de experiências de desenvolvedores, mediante colaboração dos mesmos num ambiente web, relacionando com as diretrizes de acessibilidade do consórcio regulamentador da rede, o W3C. O sistema funciona como uma rede social, recebendo experiências práticas e comentários gerais de desenvolvedores. Os usuários cadastrados podem visualizar, adicionar e avaliar artefatos, completando os critérios de acessibilidade para um deles a partir de uma metodologia colaborativa.

Mais informações: site http://www.accessibilityutil.com/

Fonte: Agência USP de Notícias 

Prevenção MPF quer incluir diagnóstico de mais cinco doenças no teste do pezinho.


Prevenção
Uma gotinha de sangue, retirada do calcanhar do recém-nascido, permite o diagnóstico de até 46 doenças. Hoje, no entanto, o sistema público de saúde garante o teste para apenas quatro grupos de doenças. O Ministério Público Federal quer incluir o diagnóstico de outras cinco doenças na Triagem Neonatal, ampliando a proteção às crianças nascidas no Estado de São Paulo.

A ação civil pública pede à Justiça Federal que obrigue a União e o Estado de São Paulo a incluírem na Triagem Neonatal realizada em hospitais públicos, no prazo máximo de 90 dias, o diagnóstico de Hiperplasia Adrenal Congênita, Deficiência de Biotinidase, Toxoplasmose Congênita, Deficiência de G6PD e Galactosemia.

O procurador da República Roberto Antonio Dassié Diana e o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, autores da ação, pedem também que seja garantido o atendimento médico interdisciplinar, medicamentos e eventuais cirurgias corretivas para as crianças diagnosticadas com alguma das doenças mencionadas.

"Concedida a liminar, milhares de recém-nascidos serão beneficiados. Não concedida, mantém-se o dinheiro nos cofres públicos", afirma a ação. "Entre, portanto, a vida (incluindo a garantia de uma vida melhor) e o dinheiro, certamente a primeira vale mais e o MPF não tem qualquer dúvida de que a liminar pleiteada é justa e legítima, além de legalmente cabível e necessária", afirmam os procuradores na ação.

Hoje, seis de junho, é o Dia Nacional de Triagem Neonatal, ou teste do pezinho, como é mais conhecido. O teste é regulamentado pelo Ministério da Saúde desde 1992. Mas o diagnóstico gratuito dos quatro grupos de doenças - fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doenças falciformes e outras hemoglobinopatias e fibrose cística - no Estado de São Paulo só foi garantido graças a uma ação do MPF, julgada procedente pela Justiça Federal no ano passado.

Agora, o MPF quer que o teste seja ampliado, para a identificação precoce de outras doenças que, ao serem precocemente descobertas, podem ser tratadas. Esses exames já são oferecidos na rede privada de saúde e em alguns estados, como Goiás e Santa Catarina. "Como a maioria das pessoas não tem condições financeiras para arcar com os custos, estão privadas da possibilidade de uma melhor qualidade de vida", lamentam os procuradores. "A omissão do Ministério da Saúde e do Estado de São Paulo coloca em risco a vida e a integridade física de crianças e adolescentes".

No ano passado, o MPF recomendou ao Ministério da Saúde que adotasse medidas administrativas para a inclusão do diagnóstico de novas doenças no teste do pezinho. Recebeu, como resposta, a informação de que "não há atualmente solicitação de incorporação do teste de triagem neonatal ampliada em tramitação na Comissão de Incorporação de Tecnologias - Citec".

Na opinião dos procuradores, as manifestações do Ministério da Saúde indicam uma preocupação com o impacto financeiro da inclusão de novos exames "Os custos com a realização de exames de diagnóstico serão compensados com a redução das complicações que as doenças acarretam a longo prazo, reduzindo gastos com medicação, tratamento e hospitalização", afirmam.

A título de exemplo, a ação informa que o sistema público de saúde gasta, em média, R$ 24,6 mil com cada criança diagnosticada tardiamente com galactosemia.

GENITÁLIA AMBÍGUA - Além disso, "os especialistas consultados ao longo do inquérito civil público foram categóricos ao afirmar que o diagnóstico precoce traz inúmeras vantagens, que não se limitam à saúde física das crianças. Basta observar que crianças do sexo feminino, portadoras de Hiperplasia Adrenal Congênita, rotineiramente são registrados como meninos, pois, na forma clássica da doença, apresentam genitália ambígua".

Segundo estudos da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais - Apae-SP , o diagnóstico tardio das doenças que o MPF quer ver incluídas no teste do pezinho pode causar sequelas irreversíveis. O ideal, segundo os especialistas, é que o diagnóstico seja feito, no máximo, até o 15º dia de vida.

Todas as doenças indicadas pelo MPF cumprem os requisitos exigidos para serem inseridas no Programa de Triagem Neonatal, entre as quais: fácil detecção; testes economicamente viáveis; sintomas podem ser amenizados ou eliminados mediante tratamento.

DIAGNÓSTICO TARDIO - As cinco doenças cujo diagnóstico o MPF quer ver incluído no teste do pezinho tem em comum o fato de terem consequências graves caso não sejam identificadas rapidamente. O diagnóstico tardio pode resultar em danos neurológicos e, em casos extremos, a morte das crianças atingidas. Identificadas nos primeiros dias de vida do recém-nascido, podem ser controladas ou eliminadas.

A Hiperplasia Adrenal Congênita pode provocar excesso de hormônio testosterona, que causa a masculinização do órgão sexual feminino, levando até mesmo a erros no registro de nascimento. Em meninos, pode levar, a partir dos dois anos de idade, ao hiperandrogenismo, inclusive com puberdade precoce. Em ambos os sexos, a puberdade precoce pode dificultar o crescimento, fazendo com que os portadores da doença atinjam, no máximo, a altura de 1,35 m.

Na sua forma mais grave - que, segundo dados do Estado de Goiás, atinge 75% dos portadores da doença - pode levar bebês entre 15 e 20 dias de vida a um quadro de desidratação grave, que pode causar a morte. "Os medicamentos utilizados no tratamento são de baixo custo, enquanto a ausência de diagnóstico frequentemente onera imensamente o poder público", aponta a ação. Em Goiânia, onde o exame é obrigatório no sistema público de saúde, a incidência da doença é de um caso para cada sete mil nascidos vivos.

A Deficiência de Biotinidase tem entre seus sintomas mais comuns as convulsões, problemas respiratórios, letargia, atrofia óptica, retardo mental, perda auditiva e, em casos graves, pode levar à morte. "O tratamento precoce é determinante, uma vez que a simples administração oral de doses de biotina possibilita o pleno desenvolvimento mental e motor, desde que o tratamento seja iniciado antes do aparecimento dos sintomas", informa a ação. "A demora no diagnóstico, entretanto, é irreversível e o tratamento pode apenas amenizar os sintomas neurológicos".

A Toxoplasmose Congênita é uma infecção causada por um parasita e é assintomática em 85% dos portadores adultos. Quando a mulher adquire a doença na gestação, pode transmiti-la ao feto. Segundo a Apae-SP, somente 15% das crianças infectadas apresentarão sintomas neonatais e desenvolverão infecção generalizada. Nos demais casos, as crianças parecem saudáveis ao nascer, mas podem desenvolver sintomas neurológicos.

"A longo prazo, a infecção poderá levar a danos cerebrais graves, como retardo mental, paralisia cerebral, convulsões, cegueira e surdez", informa a ação. Segundo a Apae-SP, a taxa de incidência da doença no país é de um para cada 3.000 nascidos vivos.

A Deficiência de Glicose-6 Fosfato Desidrogenase pode causar icterícia neonatal ou anemia hemolítica e, em casos extremos, dano neurológico permanente e até a morte se os portadores ingerirem alguns alimentos, como feijão de fava ou medicamentos, como antibióticos, analgésicos e sulfonas. Embora não exista tratamento específico, o diagnóstico precoce impede o aparecimento dos sintomas, pois impedirá que o portador faça a ingestão de medicamentos e alimentos hemolíticos.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, a estimativa é de que a doença atinja 7% da população, principalmente pessoas de origem mediterrânea, asiática e provenientes da África Equatorial.

A Galactosemia pode provocar insuficiência hepática, cataratas, sinais de hipertensão intracraniana, edema cerebral, letargia, retardo mental e, em casos graves, a morte. "Em que pese a restrição dietética não inibir o surgimento de sintomas a longo prazo, como as manifestações neurológicas tardias e a disfunção ovariana precoce, o tratamento baseado na supressão total de lactose inibe o desenvolvimento de todos os demais sintomas", informa a ação. "O diagnóstico precoce possibilita aos pacientes melhorias consideráveis na qualidade de vida e grandes benefícios econômicos ao poder público".

Leia a íntegra da Ação Civil Pública nº 0010114-89.2012.4.03.6100, distribuída à 8ª Vara Federal Cível
http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/pdfs-das-noticias/SP_acp_teste_pezinho.pdf/ 

Fonte: Ministério Público Federal/Procuradoria da República no Estado de S. Paulo

terça-feira, 5 de junho de 2012

Na each, moda adaptada estimula inclusão de pessoas com deficiência.



Ex-alunas da EACH conquistaram o quarto lugar em concurso internacional
Foto: Divulgação
Autoestima
Infraestrutura adequada e inserção no mercado de trabalho são pontos fundamentais para a integração das pessoas com deficiência na socidedade. Mas não garantem uma inclusão total é preciso também valorizar a autoestima deste grupo.

A vontade de contribuir para esta causa estimulou Inayê Jorge Gomes de Brito e Julia Harumi Sato, formadas em 2010 pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, a desenvolverem uma grife de roupas dedicada às pessoas com deficiência. Ao conquistar a quarta colocação no concurso Bezgraniz Couture Award 2012, realizado no mês de maio em Moscou, na Rússia, elas demostraram como algo tão simples como roupas adaptadas e bonitas podem fazer uma grande diferença.

Com as políticas de inclusão atuais e o aumento de trabalhadores com deficiência no mercado, sentimos uma necessidade de mudança da visão da sociedade em relação ao acesso, seja pela estrutura, arquitetura, oferecimento de serviços ou pela moda, afirmam as alunas.

Moda inclusiva
Ainda muito incipiente, a moda inclusiva ganhou maior visibilidade com o Concurso Moda Inclusiva realizado há quatro anos pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, o primeiro desse tipo no Brasil.

A moda chamada de inclusiva surge da necessidade de atender pessoas que têm algum problema de locomoção ou de visão e precisam de outras opções de vestuário para poder ter uma vida normal, afirma Cládia Vicentini, professora do curso de moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.

Segundo ela, o princípio é basicamente o mesmo, mas reserva particularidades no processo de criação, como aponta. "Um cadeirante, por exemplo, tem uma limitação de movimento. Ele precisa de outras possibilidades: uma modelagem ou fechamento diferente, tecidos ou acabamentos confortáveis."

Porém, ela destaca que o modo como um deficiente visual ou uma pessoa na cadeira de rodas encara o mundo é totalmente diferente da nossa forma de enxergá-lo, o que exige do estilista uma inserção no universo da pessoa, um se colocar no lugar dela. No processo criativo isso faz muita diferença. O repertório para criar é outro. Serão usadas as mesmas tendências de moda, mas talvez não os mesmos tecidos, não todos os volumes e as formas.

Cláudia conta que chegou a dar aulas de percepção tátil em uma universidade para estimular essa inserção. Eu colocava vendas dos olhos dos alunos e eles andavam pelos corredores da faculdade. Muitos sentiam um desconforto, um estranhamento. É essa sensação que é preciso para criar as roupas: como essa pessoa percebe o mundo Para ela, o próprio termo moda inclusiva já estaria indicando que essas pessoas não estão inseridas na sociedade. Essa realidade tem que fazer parte do cotidiano, aponta.

Ex-Alunas
Para Júlia, a ideia de pensar a arte na visão de uma pessoa cega vem desde o ensino médio. Fui movida pela curiosidade e descobri uma forma nova de ver o mundo. Entendi a importância da arte no dia-dia dessas pessoas. Já Inayê começou a desenvolver trabalhos na faculdade e viu no concurso de São Paulo a oportunidade de fazer algo que gostava contribuindo, ao mesmo tempo, para desenvolver o conceito de igualdade social na moda.

Quando as alunas perceberam que tinham projetos em comum na área, resolveram se unir e criaram a marca Lira de Moda Inclusiva. Segundo elas, a marca trabalha com a ideia da roupa adaptada como aquela que possui detalhes e soluções que contribuem de alguma forma para o desenvolvimento e independência da pessoa que a usa.

Para desenvolver as peças, seguimos o conceito de design universal, ou seja, as roupas possuem adaptações importantes, mas que são imperceptíveis e, além de incluírem essa parcela de consumidores no mundo da moda, também não excluem, pois podem ser utilizadas por mulheres sem deficiência, afirmam.

A marca representou o Brasil e conquistou o quatro lugar na segunda edição do Bezgraniz Couture Award 2012, concurso de moda inclusiva realizado na Rússia. A coleção que garantiu lugar na final foi inspirada em aves brasileiras.

Elas contam que o curso de Têxtil e Moda foi fundamental para o sucesso, oferecendo uma visão ampla do mercado combinada com o fato de cursarem uma universidade pública e pensarem mais em questões sociais. Todos estes anos pesquisando e nos dedicando a projetos de moda inclusiva resultaram em uma das melhores coleções do concurso. Foi um orgulho muito grande representar nosso país entre profissionais de peso e casas de moda já consolidadas no mercado, completam.

Atualmente, Julia faz um curso de aperfeiçoamento em moda na Central Saint Martins em Londres e Inayê, mestrado de Indústria Criativa com foco em Moda Inclusiva na Universidade Russa da Amizade dos Povos (RUDN). Para os próximos anos, elas planejam continuar com projetos na área, além de atuar em consultoria para ajudar marcas já existentes e a se adaptarem para atender o público deficiente.

Fonte: USP

Tecnologia USP terá banco de células-tronco de pacientes com doenças raras!


Tecnologia
Um software que está sendo implantado no Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH) vai possibilitar o armazenamento de dados clínicos e informações genômicas e de testes moleculares realizados em diversos pacientes atendidos pelo centro, que está ligado ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Desde que foi fundado em 2000 como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fapesp, o CEGH já atendeu cerca de 80 mil pessoas pertencentes a famílias afetadas por doenças genéticas.

O programa permitirá ao CEGH criar um dos maiores banco de dados de doenças genéticas raras da população brasileira relacionadas, particularmente, a doenças neuromusculares, malformações congênitas, de déficit cognitivo, obesidade de causa genética e autismo. Também possibilitará o surgimento de bancos de dados de células-tronco de pacientes com doenças genéticas raras do Brasil, já contendo mais de 300 amostras.

O desafio para o desenvolvimento e implementação do sistema computacional, desenvolvido ao longo de cinco anos por pesquisadores do Grupo de Modelagem de Banco de Dados, Transações e Análise de Dados (Data Group), do Instituto de Matemática e Estatística (IME) e do Centro de Bioinformática da Universidade de São Paulo (USP), foram descritos em um artigo publicado na BMC Genomics. "O software facilitará o acompanhamento e a seleção de pacientes para as pesquisas sobre doenças genéticas que realizamos", disse Maria Rita dos Santos e Passos-Bueno, pesquisadora do CEGH e uma das autoras do artigo.

De acordo com a pesquisadora, um dos principais objetivos do programa, baseado na plataforma de software livre, é controlar o fluxo de exames clínicos e moleculares dos pacientes realizados pelo CEGH, que são bastante diversificados e parametrizados.

Realizados de acordo com um ciclo, - iniciado com a coleta de amostras do sangue do paciente e de seus familiares para extração e análise do DNA para elaboração do laudo da doença genética -, os exames são feitos em diferentes etapas e demandam insumos específicos. Além disso, têm de ser realizados em baterias de 10 a 30 exames de cada vez, por exemplo, porque o custo de se fazer um único exame por vez é muito alto. Para possibilitar o controle desse fluxo de exames, o novo sistema tem páginas de acesso restrito por áreas, nas quais os profissionais responsáveis cadastram informações.

Na página de consulta dos pacientes, por exemplo, o médico ou geneticista pode solicitar a coleta de sangue para realização dos exames. Após o material ser colhido, o grupo de técnicos responsáveis pela elaboração dos exames é informado de que pode realizá-los, e deve cadastrar na respectiva página de sua área quando começaram e finalizaram o processo. Por meio do registro das informações, o médico ou geneticista pode acompanhar em que estado está o exame e quando terão que preparar o relatório final, com o laudo do paciente que estão acompanhando.

"O software cobre um ciclo que começa com a coleta do material do paciente até a expedição do resultado do laudo, e tem como objetivo apoiar a decisão dos pesquisadores do CEGH em relação à escolha de pacientes, por exemplo, para um acompanhamento mais próximo", disse João Eduardo Ferreira, professor do IME e coordenador do Data Group.

Com informações da Agência Fapesp
Fonte: Terra

Educação Ministro defende inclusão de alunos com deficiência em classes regulares.


Educação
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante defendeu a política de estímulo à educação especial em classes regulares. "O Brasil tem que ter 100% das crianças e jovens com deficiência na escola. A escola de atendimento especial é um direito, sim, mas para ser exercido de forma complementar e não excludente", enfatizou.

Mercadante citou dados do censo da educação básica, que mostram que no ano 2000 havia apenas 21,4% das pessoas com deficiência matriculadas no ensino regular público. Em 2011, o número saltou para 74,2%. Além disso, 22% das escolas hoje têm acessibilidade. Há 12 anos, eram apenas 2,2%. Em relação ao acesso, segundo o ministro, 69% dos favorecidos pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) estão nas escolas públicas. E 78% dos professores já passaram por formação em educação especial.

"A política de educação inclusiva permitiu um crescimento espetacular, de forma que os estudantes com deficiência convivem com os outros alunos e os outros alunos convivem com eles", afirmou Mercadante. Ele lembrou ainda que escolas estão sendo reformadas e ônibus escolares adaptados para permitir a acessibilidade.

O ministro destacou que o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) contabiliza dupla matrícula para os estudantes com deficiência da rede pública. Isso para que possam frequentar escolas regulares em um turno e atendimento especializado em outro. "O aluno tem que fazer o ensino regular e o especial e isso é referendado pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU de 2006 e pela Conferência Nacional de Educação de 2010. Essa é uma discussão já superada", disse.

Na visão do ministro, os jovens com deficiência demonstram cada vez mais inserção no mercado de trabalho e atuam com competência. "É isso que queremos, não vamos de novo segregar, como fazíamos há dez anos. Pelo contrário, temos que buscar ainda centenas de milhares de jovens pobres com deficiência que não conseguem chegar à escola, um a um".

Fonte: Agência Brasil